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Artigos Variados - Mito derrubado PDF Imprimir E-mail
Escrito por Administrator   
Ter, 14 de Julho de 2009 01:15
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Mito derrubado
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MITO DERRUBADO:

A bicicleta é sua aliada contra a impotência sexual.

A prática esportiva é essencial para solucionar um dos problemas que mais afligem os homens. Não faz muito tempo boa parte da imprensa alardeou que pedalar poderia causar disfunção erétil, noticia que deixou até os mais céticos dos ciclistas preocupados. Muitos até evitaram subir em sua bicicleta por medo do surgimento de doenças que poderiam prejudicar a ereção e a atividade sexual. Porém, não existem dúvidas sobre o benefício da prática esportiva à qualidade de vida e à prevenção de doenças “São raros os casos de ciclistas com disfunção erétil provenientes do esporte. Em todo meu histórico profissional, vi apenas um caso parecido, mas nem havia sido causado pelo selim, mas pelo banco de uma motocicleta”, alivia os ciclistas José Mario reis, médico e cirurgião vascular do Instituto H. Ellis – Centro Multidisciplinar de Diagnóstico e Tratamento em Sexualidade Humana, Cirurgia Vascular e Angiologia – e membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular. Reis explica que, ao pedalar, o selim fica exatamente embaixo da região genital, onde se encontram o nervo responsável pelo estímulo sexual e a artéria responsável pelo fluxo sanguíneo ao corpo cavernoso. Essa pressão pode causar trauma no feixe vasculonervoso. Se essa compressão demasiada for do nervo, ocorre uma dormência momentânea, algo bastante comum aos ciclistas, principalmente àqueles que pedalam por longos períodos. “É algo totalmente reversível, É só parar de pedalar que a dormência passa”, dia o médico. O problema reside na lesão por compressão da artéria que conduz o sangue ao pênis. “O indivíduo até consegue ter ereção inicial, mas não a mantém. Nesse caso, opta-se por cirurgia ou pelo uso de medicamentos que estimulam a ereção”.

Os motivos do medo.

Desde 1997, quando Irwin Goldstein, pesquisador da Universidade de Boston, estimou que cerca de 100 mil homens teriam desenvolvido impotência sexual devido ao ciclismo, esse tema tornou-se polêmico. Trabalhos foram publicados explorando o assunto, que ainda hoje inspira atenção. Fato é que, em 2005, o jornal “The New York Times” publicou artigo orientando os praticante de ciclismo sobre as preocupações que devem ser tomadas para evitar problemas sexuais. Na revista médica ”Journal of Andrology”, em 2002, um estudo revelou a diminuição da rigidez e da função erétil noturna em policias que trabalhavam de bicicleta. E, como foi divulgado no “Evanston Northwestern Heathcare” de 2004, o ciclismo bem sendo associado à compressão perineal, que pode lesar nervos e o suprimento sanguíneo responsável pela ereção. O mesmo artigo ainda sugere mecanismos para minimizar esse trauma. “Opte sempre por selins anatômicos, muitos possuem abertura para aliviar a pressão contra a região do períneo”, orienta o médico José Mario reis. Vários estudos parecem confirmar a relação entre impotência e ciclismo devido a esse mecanismo. O que não se pode afirmar, como diz Reis, é que pedalar seja a causa da disfunção erétil. Porém, em indivíduos que já apresentem diabetes, hipertensão arterial, vasculopatias e tabagismo, a compressão perineal prolongada pode desencadear o processo de aparecimento da impotência sexual. Para contornar qualquer um desses males, evite pedalar longos períodos sentado: alterne o percurso pedalando em pé para aliviar essa compressão. Convém realizar ainda um check-up prostático anual, se o indivíduo tiver mais de 40 anos. Limitar a ingestão de calorias e gorduras de origem animal, aumentar a proporção de vegetais na dieta (soja e tomate, por exemplo), beber uma taça de vinho tinto ao dia e fazer exercícios regularmente. Essa é certamente a melhor prevenção para as doenças.

Próstata e o ciclismo

A preocupação com o câncer de testículo ocorre principalmente da lembrança do heptacampeão do Tour de France, o americano Lance Armstrond. Vítima de um agressivo tumor testicular disseminado, após tratamento quimioterápico ele ficou curado. Para a felicidade dos ciclistas não existem estudos relatando a associação entre câncer de próstata e ciclismo. Compressão na região perineal tem sido relacionada à elevação do PSA (antígeno prostático específico), que é uma substância produzida pela próstata e que ajuda no diagnóstico de doenças nesse órgão. Isso pode confundir a análise do PSA e, por esse motivo, orienta0se o individuo a evitar o ciclismo no período de coleta do material para exame. E, ao contrário do que se podia imaginar, estudos da Harvard Medical School demonstram que exercícios físicos aeróbicos, incluindo ciclismo, auxiliam na prevenção do câncer prostático.


A impotência que está na cabeça

No Brasil, estima-se que aproximadamente 47% dos homens apresentem algum grau de disfunção erétil, segundo estudo coordenado pelo Projeto Sexualidade (Prosex) – USP e pelo Instituto Osvaldo Cruz (BA), em sete estados brasileiros no ano de 2000, com o apoio Pfizer. Nos EUA, mais de 20 milhões de homens apresentam esse problema. Boa parte dos casos de impotência sexual não está relacionada diretamente a problemas do corpo cavernoso, mas à qualidade de vida do homem. A dificuldade de ereção, neste caso, ocorre geralmente por ansiedade em relação a atividade sexual, ao medo do fracasso, a preocupação acerca do próprio desempenho sexual, à depressão, a dificuldade pessoais e ao sedentarismo. “Eu costumo indicar esportes àqueles que têm problemas de ereção. A atividade física ajuda no combate à depressão, alivia o estresse, estimula a produção da endorfina, responsável pela sensação de bem-estar, aumenta o fôlego e a resistência do homem, ou seja, os exercícios estão diretamente ligados ao combate dos gatilhos que desencadeiam problemas de ereção”, diz Luciana Amadi, psicóloga com experiência em sexualidade humana no atendimento de adolescentes, adultos e casais e especializada em psicodrama pela PUC-SOPSP (Sociedade de Psicodrama de São Paulo).

Além dos benefícios citados, o esporte aumenta a autoestima de quem o pratica. “Afora a resposta fisiológica, o exercício eleva a autoestima do homem. E um dos principais fatores do fracasso sexual é a baixa autoestima”, finaliza a psicóloga Luciana Amadi. Portanto, ponha os fantasmas no armário.
Ana Paula de Oliveira - Revista Vo2 março/09



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