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Artigos Variados - Política de bicicletas PDF Imprimir E-mail
Escrito por Administrator   
Ter, 14 de Julho de 2009 01:15
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POLÍTICA DE BICICLETAS:

Governantes anunciam um novo pacote de medidas para ‘melhorar o trânsito’. outra vez fica explícita a falta de importância que a bicicleta tem para as nossas autoridades. Não são capazes de entender os benefícios de uma cidade mais limpa, silenciosa, com um ar mais puro. Privilegiam descaradamente o meio de transporte mais irracional, injusto e perigoso. ´Carros são acidentes esperando para acontecer´.
As visões técnicas e realmente bem intencionadas dos comandantes são direcionadas ao fluxo dos carros. Este não pode parar de jeito nenhum. ´Teremos mais tudo, mortes, poluição, ruas barulhentas e degradadas!´ Cidades do mundo inteiro estão despertando para a bicicleta enquanto cidades do Brasil permanecem no seu sonâmbulismo crônico, em que o carro e a cultura dos ´centros de compra´ são exaltados como a salvação da civilização.
Enquanto os motoristas recebem vários estímulos positivos, tais como isenção de impostos, ruas lisas, espaços para correrem cada vez mais, os usuários de ônibus tem que pagar uma pequena fortuna pelo privilégio de serem esprimidos, talvez até cuspidos para fora da máquina em movimento. Ah, mas isto ouvindo música clássica, com dignidade!
Os pedestres também não são ´cuidados´ com a mesma dedicação, o mesmo amor com que os empreiteiros e construtores de viadutos mostram para com os carros. E os ciclistas, por sua vez, são empurrados para o meio fio! Para realmente melhorar o trânsito precisamos entender que as ruas são limitadas. Que uma cidade cortada pelo trânsito veloz, onde deputados voam a 190km/h, em que ciclofaixas só aparecem na retórica das campanhas políticas, onde as ciclovias existentes ou são calçacas asfaltadas cheias de obstáculos, ou tem sua manutenção completamente ignorada, não deve ser considerada, de forma alguma, uma cidade sustentável.
Se as vias dos carros fossem tratadas com tamanho descaso se tomariam ações imediatamente. Os motoristas fariam buzinaços, saíriam em carretas. Não pagariam mais os seus impostos.Os ciclistas podem ser silenciosos em seus conflitos diários com a falta de respeito e segurança que recebem dos motoristas, mas estão bem acordados para o que está acontecendo. Para uma melhoria no trânsito, na qualidade de vida, da saúde social, outras medidas deveriam ser anunciadas.

Já disseram os Situacionistas em 1959:
“Não se trata de combater o automóvel como um mal. Sua exagerada concentração nas cidades é que leva à negação de sua função. É claro que o urbanismo não deve ignorar o automóvel, mas menos ainda aceitá-lo como tema central. Deve trabalhar para o seu enfraquecimento. Em todo caso, pode-se prever sua proibição dentro de certos conjuntos novos assim como em algumas cidades antigas.”

texto adaptado

publicado originalmente no site Bicicletada Curitiba por: GOURA NATARAJ



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